quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Corpo do Silêncio

No chão, um corpo se desenha...

"Você tem medo de mim? (silêncio)...
Qual seu nome? Não fala!
Segura minha mão. Já escutou o silêncio?
Escuta o silêncio. (Pausa).

Entre duas notas musicais existe outra nota. Entre dois fatos existe um fato. Entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um espaço, existe um sentir que é entre o sentir. São nos interstícios da matéria que está a respiração do mundo e a respiração do mundo, contínua, sem fim, que ouvimos é aquilo que chamamos silêncio.

PAUSA.

Um corpo. Entre dois corpos existe um corpo. Corpo do silêncio, O corpo do silêncio fala. Fala alto. O corpo do silêncio grita. Silêncio do corpo. O silêncio do corpo responde até o que não foi perguntado. O silêncio do corpo machuca. E dói. Um corpo. O corpo do silêncio enlouquece. O silêncio é. Silêncio... Silêncio. Silêncio, corpo! Silêncio do corpo. Corpo do silêncio. Corpo, silêncio. Silêncio. Corpo. Corpo. Corpo. Silêncio. Silêncio!....

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

"A experiência polissêmica do silêncio

O silêncio é uma experiência de múltiplos sentidos.
Há um silenciar-se, imposto e autodeliberativo. Silenciamento da palavra, exílio,
proibição, castigo à palavra não desejada, ameaça. Mas, também, mutismo
intencional, recusa, indiferença,
O silêncio aponta para um indizível: da experiência trágica, da não superação,
do desconhecido, da estratégia, da sedução, da maquinação.
No silenciamento ostensivo, o corpo se recusa a falar (mutismo da palavra).
Ou, ao contrário, se diz, silenciosamente e diz mais do que milhões de palavras e
elaborados discursos.
Por isso, todo silenciamento ostensivo é o ponto fraco de todos nós: a ameaça
à tortura ou à morte do corpo. Se o corpo é ameaçado de morte é porque o silêncio
obsequioso ou o mutismo imposto, são insuficientes. Por ser lugar por excelência do
silêncio, tenta-se matar o corpo, para que não fique o risco do silêncio do corpo, que
é comunicativo e conspiratório. Ação insuficiente, pois, mesmo morto, o corpo se
comunica e incita as ações futuras."

Fonte: http://periodicos.franca.unesp.br/index.php/caminhos/article/viewFile/56/48