segunda-feira, 17 de agosto de 2015

"A experiência polissêmica do silêncio

O silêncio é uma experiência de múltiplos sentidos.
Há um silenciar-se, imposto e autodeliberativo. Silenciamento da palavra, exílio,
proibição, castigo à palavra não desejada, ameaça. Mas, também, mutismo
intencional, recusa, indiferença,
O silêncio aponta para um indizível: da experiência trágica, da não superação,
do desconhecido, da estratégia, da sedução, da maquinação.
No silenciamento ostensivo, o corpo se recusa a falar (mutismo da palavra).
Ou, ao contrário, se diz, silenciosamente e diz mais do que milhões de palavras e
elaborados discursos.
Por isso, todo silenciamento ostensivo é o ponto fraco de todos nós: a ameaça
à tortura ou à morte do corpo. Se o corpo é ameaçado de morte é porque o silêncio
obsequioso ou o mutismo imposto, são insuficientes. Por ser lugar por excelência do
silêncio, tenta-se matar o corpo, para que não fique o risco do silêncio do corpo, que
é comunicativo e conspiratório. Ação insuficiente, pois, mesmo morto, o corpo se
comunica e incita as ações futuras."

Fonte: http://periodicos.franca.unesp.br/index.php/caminhos/article/viewFile/56/48

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